O TRANSTORNO BIPOLAR AFETIVO NA ADOLESCÊNCIA

03/10/2015 14:29

O TRANSTORNO BIPOLAR AFETIVO NA ADOLESCÊNCIA

A adolescência é o período da vida em que os indivíduos estão sob maior estresse, mais inseguros e indefinidos, violentamente bombardeados pelos hormônios, além de ser também nesta fase que se expõem mais a comportamentos de risco, que a sexualidade explode e as drogas ilícitas os seduzem de forma contundente. É neste período, portanto, que fatores ambientais, constitucionais e genéticos interagem mais fortemente, favorecendo a eclosão do transtorno bipolar.

Alguns Sintomas do TAB na Adolescência
 

  • Elevada ansiedade ou preocupação excessiva.
  • Dificuldade para levantar-se pela manhã.
  • Hiperatividade e excitabilidade à tarde.
  • Sono agitado ou dificuldade para conciliar o sono.
  • Terror noturno ou despertar recorrente no meio da noite.
  • Dificuldade de concentração na escola.
  • Dificuldade em organizar tarefas.
  • Reclamações frequentes sobre sentir-se aborrecido.
  • Facilidade de distração com estímulos externos.
  • Períodos de fala excessiva e muito rápida.
  • Mudanças de humor bruscas e rápidas.
  • Estados de humor irritável; alegres ou tolos.
  • Acessos de raiva ou fúria explosivos e prolongados.
  • Exacerbação da libido.



No diagnóstico de TBH na infância e adolescência, um importante aspecto a ser levado em conta é a alta prevalência de comorbidades. Altas taxas de comorbidade com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) (mais de 75%) são encontradas em amostras clínicas de crianças e adolescentes com TBH, ealtas taxas (10% a 15%) de TBH também são achadas em muitas amostras clínicas de crianças com TDAH (Pavuluri et al., 2002). Além destas, comorbidades com outros transtornos, como os do comportamento disruptivo e ansiedade, anorexia nervosa, bulimia, transtorno de pânico, fobia social e transtornos relacionados com substâncias também são evidenciadas em jovens pacientes bipolares (Tramontina et al., 2003).


TRATAMENTO

Até 15 anos atrás, ainda se discutia sobre a possibilidade de ocorrência ou não de transtorno afetivo bipolar (TAB) em crianças. Hoje, a ocorrência do transtorno já foi constatada e as atenções estão voltadas para a investigação das apresentações clínicas de TAB com início na infância e na adolescência, desenvolvimento de instrumentos para auxiliar no diagnóstico precoce e investigações de melhores formas de tratamentos.

O tratamento alia a prescrição medicamentosa à psicoterapia individual, terapia familiar e mudanças no estilo de vida.

Importantes recomendações
 

  • Acompanhamento médico e psicoterápico.
  • Uso da medicação prescrita conforme recomendação médica.
  • Especial atenção à observância do uso da medicação conforme prescrito, pois é muito comum o paciente de bipolar interromper a terapia medicamentosa. A interrupção no uso do medicamento recomendado desencadeia, em geral, novos episódios da conduta característica a essa condição: estados de depressão mais intensa e maior exaltação na euforia.
  • Restrição ao uso de álcool, drogas e cafeína.
  • Vida saudável com horas de sono sufi cientes e em horário regular, alimentação equilibrada e atividade física adequada.




CONCLUSÕES

Vemos, no cenário atual, um avanço no tratamento de crianças e de adolescentes portadores de TBA, uma vez que a constatação de sua manifestação antecipa o tratamento, melhorando o prognóstico. Há, no entanto, uma contra-partida: uma quantidade enorme de diagnósticos precipitados, com prescrições inadequadas.

De modo geral, a adolescência caracteriza-se por um período em que as dificuldades de diagnóstico de transtornos mentais estão particularmente presentes, seja pela ocorrência de sintomas típicos dos transtornos emocionais nessa fase da vida, seja pelos equívocos induzidos pela peculiaridade desta fase do desenvolvimento com seu repertório emocional exuberante. Outro complicador é a presença de comorbidades, como já foi dito. Então, cabe aos profissionais envolvidos firmar diagnóstico diferencial, com especial atenção a sinais de humor cíclico, além de realizar uma análise acurada do histórico familiar.

No que diz respeito à família, a dificuldade de lidar com o transtorno relaciona-se, por um lado, ao grande desconhecimento sobre os transtornos mentais de forma geral, e, finalmente, mas não menos importante, a uma enorme resistência em aceitar sua presença no seio familiar: admitir que uma criança ou adolescente deprime, fica ansioso ou tem vontade de morrer, muitas vezes é inconcebível para a família.

Decorre daí que, no curso da doença, as relações familiares tornam-se cada vez mais conflituosas, com brigas frequentes, gritos, xingamentos, perda de limites por parte do adolescente, muitas vezes tornando o núcleo familiar um ambiente até mesmo violento. O rendimento escolar cai vertiginosamente e a angústia toma conta de toda a família. Além disto, resultam deste cenário separações conjugais, já que acabam por ser deflagrados com a doença do adolescente novos núcleos familiares patológicos.

Então, embora os estudos e pesquisas sobre TBA contenham pendências e dados inconclusivos, todos concordam com a importância da detecção precoce e tratamento adequado para um melhor prognóstico da doença. Neste cenário, as estratégias terapêuticas adequadas e necessárias e a família como coator na dinâmica da doença constituem pilares fundamentais para a promoção de uma melhora na qualidade de vida dos envolvidos.

Referências: https://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=189


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!