Ensino e Aprendizagem para Crianças com Deficiência Intelectual

15/04/2015 14:01

O processo de ensino aprendizagem da leitura e escrita junto as pessoas com deficiência Intelectual.

Edenilsa Entringer Gomes

Resumo


O debate sobre a inclusão educacional daspessoas com deficiência intelectual, é algo que ainda se discute no âmbito educacional. Vamos direcionar nosso discurso e buscar responder a seguinte inquietação: qual a importância de desenvolver um trabalho eficaz com a criança com deficiência intelectual a fim de que ela tenha sucesso no processo ensino-aprendizagem? Podemos já afirmar pelas experiências vivenciadas que ainda existem fatores que prejudicam o processo ensino-aprendizagem da criança com deficiência intelectual, todo o processo de inclusão ainda representa um desafio para toda comunidade escolar, e fica na dependência de uma dedicação muito grande por parte do professor que muitas vezes não se sente preparado para sua imprescindível tarefa no processo de construção do conhecimento desta criança. Mas lembramos que o convívio social já possibilita o desenvolvimento de muitas competências na criança com deficiência.

 


Introdução

A partir do nascimento ou constatação que uma criança possui uma deficiência, inicia para ela e sua família uma longa história de dificuldades. Não é apenas a deficiência que torna difícil a sua existência, mas a atitude das pessoas e da sociedade diante de sua condição. 

Durante décadas acreditou-se que as pessoas com deficiência intelectual não aprendiam os conteúdos acadêmicos ensinados na escola. Por essa razão, a sua educação era pautada na crença de que pouco aprenderiam e que aprender coisas relacionadas a sua vida diária, sociais, de lazer e de trabalho supervisionado, ou pouco mais, já era o suficiente.


Com o passar do tempo e a realização de estudos, aceitou-se de que esse indivíduo também possuía outras habilidades bem próximas de uma pessoa sem a deficiência, assim foram substituindo a ideia anterior por esperanças e possibilidades de aprendizagem.

 


O processo de ensino aprendizagem

 De antemão é preciso considerar que essa prática educativa é extremamente complexa pois existem fatores e graus bem diferentes dentro do que classificamos como Deficiência Intelectual. A deficiência pode ser em grauleve, moderada, ou grave. 

É preciso considerar que , qualquer que seja o seu grau de deficiência, essa criança terá dificuldade em construir seus conhecimentos, demonstrar suas capacidades cognitivas, principalmente se a escola possui metodologias conservadoras. Por isso, sugeri-se que a escola deva ser diferenciada para todos, isto é, se adequar as possibilidades e limitações de cada aluno, os auxiliando no processo de construção do conhecimento.


O professor não necessita preparar uma aula diferenciada para aquele aluno, mas sim, diversificar atividades para atingir a todos, independente de suas possibilidades intelectuais.

 

 A condição de deficiente intelectual não pode predeterminar o limite de desenvolvimento do indivíduo, deve-se favorecer ao aluno a busca pela independência, respeitando sua condição de aprendizagem, valorizando e considerando o jeito de cada um aprender.

Nesta perspectiva lembramos de Padilha (2001, p. 135) salienta que “vencer as barreiras de sua deficiência, expandir possibilidades, diminuir limites, encontrar saídas para estar no mundo” devem ser metas no trabalho com o deficiente intelectual, pois ele dever ser educado visando sua emancipação.

 

Sendo assim, ressalta-se que o educador tem um lugar importante na construção da aprendizagem, pois é ele que orienta o aluno. É importante considerar que o aluno com deficiência intelectual sente-se segregado dentro e fora da sala de aula. Não sabe o que quer e aonde quer chegar. Não tem relativo domínio sobre suas emoções e atitudes, enfrenta dificuldades de resolver seus conflitos, muitas vezes expressa livremente suas emoções. Até nestes momentos precisa ser orientado.Devido a isso o professor deve possuir um equilíbrio emocional que revele o seu nível de maturidade afetivo-emocional, que o auxiliem no trabalho com este aluno.


O educador deve buscar estabelecer, na sala de aula um clima de harmonia e cooperatividade que possibilite o desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual sem fazer distinção. Santomé (1997, p. 176), afirma que as instituições escolares “precisam ser lugares onde se aprenda, mediante a prática cotidiana, a analisar como e por que as discriminações surgem, que significado devem ter as diferenças coletivas e, é claro, individuais”.

 

 Ressalta-se que em todas as situações, não se pode perder de vista a importância de propiciar para o aluno um ambiente social estimulador, livre de segregação, um ambiente que não reforce as suas limitações, mas desafie o desenvolvimento e a aprendizagem de novas habilidades.



Vamos considerar aqui as dificuldades mais comuns nas pessoas com Deficiência Intelectual , independente do grau de sua deficiência. Estas dificuldades prejudicam seu processo ensino-aprendizagem, que vão desde a aceitação, até a dificuldade para realizar tarefas que para os demais são fáceis, a dificuldade de articular o pensamento e ação, a lentidão para realizar tarefas, a necessidade do apoio visual, a incapacidade de permanecer muito tempo na mesma atividade e, talvez, o mais agravante a baixa autoestima. Mas é importante acreditar que todos teem capacidade de aprender só se faz necessário descobrirmos, como essa criança aprende? Quais recursos devo usar? Que metodologia é a mais eficaz?


Para chegarmos a respostas destas perguntas se faz necessário realizarmos várias tentativas e nunca desistirmos, pois a aprendizagem é possível de se concretizar.A seguir registraremos algumas sugestões de atividades.

 

Atividades que podem ser desenvolvidas com alunos com deficiência intelectual.


ESQUEMA CORPORAL

reconhecimento, nomeação, localização de partes, deslocamento no espaçofísico.

 

Exemplo:

1- apresente figuras com partes do corpo;

2- apresente palavras que nomeie essas partes;

3- peça que a criança cole o nome das partes do corpo em seus respectivos lugares;

4- peça que reescreva isso em seu caderno.

5- separe uma das palavras em sílabas e trabalhe com a criança ( ca be ça )

 


LATERALIDADE

* dominância lateral . Definição lateral.

Exemplo:

- Trabalhe com material concreto ou figuras.

Apresente a figura de uma criança, depos peça para colar algum objeto do lado direito ou esquerdo deste bonequinho.


NOÇÕES DE ESPAÇO:


* seriação ( do maior para o menor e vice versa)

* classificação ( por cor, tamanho, forma, categorias)

* proporcionalidade ( grosso , fino, grande , pequeno, largo, fino)

* sequencia ( quantidade, ordem, histórias)


NOÇÕES DE TEMPO

* calendário ( ano, meses, dias )

* horas ( dia noite, horas, minutos , segundos)

* apresente os números , peça para identificar quantidades, retire e conte, acrescente e conte...)


JOGOS

* memorização

* atenção

* pensamento

* linguagem

* percepção

 

BRINCADEIRA

* Nome de flores sem repetir

* Nome de animais sem repetir

* Cores

* Mostre uma sequencia de figuras , depois retirá-las e pedir que fale qual sequencia havia sobre a mesa.

 


PRODUÇÕES DE ACORDO COM O NÍVEL DE ESCRITA.

* auto ditado ( mostre figuras e peça para escrever nome)

* Mostre brinquedos e peça para nomea-los depois escrever.

* recorte cole e escreva o nome.

* escrever receitas simples ( colocar figuras simbolizando medidas e rótulos para ingredientes).


EXPLORAR REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA

* teatro

* dramatização

* fantoche

 


DESENVOLVER AUTO CUIDADO

* higiene pessoal

* organização e capricho com material

* alimentação

* segurança

 
Considerações Finais

Logo, para o deficiente intelectual ter sucesso em seu processo ensino-aprendizagem ele deve ser estimulado, amado, aceito, tratado com igualdade, tendo o professor como mediador de suas aprendizagens, pois apesar de levar mais tempo para aprender é capaz de adquirir habilidades intelectuais e sociais.


Portanto, toda a escola deve estar preparada para receber este aluno, estimulá-lo, buscando desenvolver suas inúmeras competências e habilidades.


Enfim, para o deficiente intelectual ter sucesso em sua vida escolar, deve-se usar inúmeros recursos tecnológicos, explorar a ludicidade, a escola deve ser um espaço de conquistas.

 

Referencias Bibliográficas


SANTOMÉ, J. T. As culturas negadas e silenciadas no currículo. In: SILVA, T. T. da S. (org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. Rio de Janeiro: Vozes, 1997. 

PADILHA, A. M. O que fazer para não excluir. In: GOÉS, M. R. ; LAPLANG, A. F. Políticas e práticas de educação inclusiva. São Paulo: Autores Associados, 2001

 

 

 


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