Depressão Infantil

22/08/2015 16:34

Você acha que seu filho é quieto, dorme muito, brinca sozinho,irritabilidade, mal comportamento, tem dificuldades de aprendizagem?

Pode estar com um quadro de Depressão, é necessário avaliar vários fatores, para identificar, porém muitas vezes, a criança vem com queixa de déficit de atenção, atraso na aprendizagem, isolamento social, entre outros sintomas, que podem estar relacionado com os sintomas depressivos.

Encontrei um Artigo que Descreve Sobre a Depressão Infantil, com considerações de autores.

Depressão Infantil: Características e Tratamento

A Depressão é um transtorno de humor que se caracteriza por tristeza e anedonia associados a transtornos de sono, alimentação e outras comorbidades (DALGALARRONDO, 2008).

Os primeiros estudos da Depressão Infantil (DI) surgiram no início do século XIX. No entanto, as primeiras tendências de conceituação da Depressão em crianças foram realizadas segundo um enfoque psicanalítico, visando à compreensão da psicodinâmica de pessoas deprimidas (BANDIN; SOUGEY; CARVALHO, 1995). No campo da psiquiatria, a Depressão Infantil despertou interesse somente a partir da década de 60. Antes disso, acreditava-se que a Depressão na criança não existia ou então, que seria muito rara. Hoje, dados epidemiológicos mostram que não há mais dúvida quanto à sua ocorrência (CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2003).

Um estudo realizado no Brasil mostrou que a ocorrência da Depressão na infância é variável, porém fica claro que há incidência desta patologia em crianças (HALLAK apud CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2003).

A Depressão na infância caracteriza-se pela associação de vários sintomas e sinais, dentre eles os mais presentes são a tristeza e a irritabilidade. Dependendo da intensidade, a DI pode gerar desinteresse pelas atividades rotineiras, queda no rendimento escolar, diminuição da atenção e hipersensibilidade emocional. Surgem ainda preocupações atípicas da infância, tais como a respeito da saúde e estabilidade dos pais, medo de separação e da morte, além de grande ansiedade (RODRIGUES, 2000).

De acordo com os manuais de psiquiatria, a Depressão estaria relacionada a alterações químicas no cérebro, principalmente com relação aos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina. A diminuição dessas substâncias, que participam da comunicação entre os neurônios, pode ser causada por fatores genéticos, psicológicos e/ou sociais.

De acordo com DSM IV, os sintomas da Depressão são: humor deprimido na maior parte do dia, nenhum interesse nas atividades diárias, instabilidade no sono e apetite, baixo nível de energia, alteração na atividade motora, sentimento de inutilidade, baixo poder de concentração e ideias ou tentativas de suicídio.

A Depressão na primeira infância está diretamente ligada às frustrações precoces e graves vivenciadas pelo infante no ambiente familiar desde sua geração até após seu nascimento. A falta de investimento maternal, lutos, atuações depressivas das mães e até mesmo falta de continuidade dos cuidados ou separações podem desencadear uma DI(FORNELOS; RODRIGUES; GONÇALVES, 2003).

Fatores genéticos, aspectos comprometidos da personalidade - tais como ausência de autoconfiança e baixa autoestima - e inadaptação social podem ser tidos como causadores da Depressão na infância (ANDRIOLA; CAVALCANTE apud HUTTEL et al., 2011).

De acordo com Bahls (apud HUTTEL et al., 2011), a Depressão em um dos pais potencializa em até três vezes o risco de surgimento da patologia no infante. Ele destaca como fatores de relevância no desencadeamento da DI, o abuso físico, sexual, perda de um dos pais, irmão ou amigo mais próximo. Cruvinel e Boruchovitch (2008) destacam ainda que um ambiente familiar caracterizado por condutas parentais impróprias, ou patologias de ordem psíquicas em um dos pais, pode contribuir no aparecimento da DI. Nesse sentido, uma dinâmica familiar inadequada seria um fator de risco para a Depressão e, portanto, poderia contribuir para o desenvolvimento da Depressão na criança.

Conforme a criança vai crescendo, os sintomas podem ir se modificando. É preciso ficar atento, pois a Depressão pode surgir de forma mascarada. A Depressão em crianças com idade escolar é frequente, e um de seus principais problemas é o declínio no desempenho escolar, pois o infante passa a ter dificuldade de concentração ou falta de interesse. As fobias, ansiedade de separação e dores somáticas podem levar a recusa a ir à escola, bem como o isolamento e dificuldade em fazer amigos (CARMO; SILVA, 2009).

A Depressão na infância pode ser classificada como Depressão Situacional, Síndrome Orgânica Depressiva, Primária ou Maior, Transtorno Dístico e, por fim, a Depressão Mascarada (FICHTNER, 1997).

Na Depressão Situacional, a DI se dá a partir do desenvolvimento normal da criança, inerente da ocorrência de fatos inesperados, que podem surgir como uma perda inesperada, traumas, entre outros. Porém, estes sintomas podem acarretar diversas mudanças no infante, principalmente de socialização, sendo esta mais explícita no ambiente escolar.

Na Síndrome Orgânica Depressiva, a Depressão Infantil é decorrente de doenças pré-existentes na criança. Doenças Endócrinas, neurológicas de ordem infecciosas, e os Transtornos de Déficits de Atenção e Hiperatividade potencializam o surgimento da DI.

Na Primária ou Maior, a DI está, na sua maioria, associada a um histórico de inadequação social pré-doentio da criança, assim como histórico de Depressão de forma contínua no âmbito familiar. O Transtorno Dístico se dá a partir do humor deprimido ou irritável, e tem a durabilidade de, no mínimo, um ano para assim ser diagnosticado. Ele apresenta, ao mesmo tempo, dois ou mais sintomas como: pouco apetite ou aumento exagerado do apetite, insônia ou hipersonia, cansaço ou pouca energia, baixa autoestima, pouca concentração, baixa capacidade em tomadas de decisões e constante sentimento de desamparo (FICHTNER, 1997).

Por último, está a Depressão Mascarada, que é visivelmente notada por suas características corporais, comportamentos inadequados ou persistentes. Este tipo é exclusivo de crianças (FICHTNER, 1997).

Em bebês, ela é apresentada através dos seguintes sintomas: expressão facial triste, apatia, perda de peso ou dificuldade de ganhar o peso esperado para esta fase do desenvolvimento, choro frequente sem causa aparente, insônia, irritabilidade, atraso da linguagem ou no desenvolvimento motor.

Na fase pré-escolar, a criança poderá apresentar inquietação motora, retraimento, choro frequente, recusa em se alimentar, perturbação do sono e apatia. É comum ela não responder a estímulos visuais e verbais, terem mudanças súbitas ou inesperadas de comportamento, dores de cabeças ou de estômago, dificuldade de separação ou separação sem reação, isolamento social, linguagem e movimentos ou reações lentas.

Em crianças de sete a 12 anos, percebe-se sintomas somáticos como dores de cabeça, abdominais, déficit na aquisição de peso esperado para a idade, fisionomia triste ou de lamentação, irritação constante, diminuição de apetite, agitação psicomotora ou hiperatividade, retardo psicomotor, distúrbio do sono, balanceio ou movimentos estereotipados entre outros movimentos repetitivos. A criança pode apresentar ainda auto e heteroagressão, podendo colocar-se em situação de perigo. Pode apresentar também regressão na linguagem, ecolalia, enurese, dependência excessiva, controle precário em torno dos impulsos, sensação subjetiva de Depressão, queixas com relatos de estar triste, acompanhadas pelos sentimentos de infelicidade, culpa, ou pesar, raiva, mau humor, aborrecimento, reações desproporcionais às situações, anedonia, falta de desejo de frequentar a escola, dificuldade de concentração, pensamento lento, queda de rendimento escolar, cansaço e falta de energia, pensamentos de morte ou suicídio, baixo poder de criação, iniciativa e compreensão, choro constante e sem motivo aparente e problemas de conduta.

A Depressão em adolescentes é bem semelhante a do adulto. Este apresentará sentimento de desesperança, dificuldade de concentração, ideias e tentativas suicidas, distúrbios do sono, perda de apetite, perda de energia e desinteresse pelas atividades diárias, anedonia, humor irritável, angústia, ansiedade, inquietação e agressividade, dificuldade de lidar com os sentimentos de baixa autoestima, desamparo e desapontamento consigo, desesperança, sensação que as coisas não irão mudar; abuso de álcool e drogas em 25% dos casos, pensamento depressivo e sentimento de inferioridade. O adolescente frequentemente se descreve como bobo, ruim ou rejeitado. Pode ainda apresentar hipocondria e baixo rendimento escolar (SIGOLO, 2008).

Uma intervenção psicológica geralmente começa quando o problema já se cristalizou e se repercutiu em diversas esferas da vida do indivíduo. Dessa forma, a terapia deve focar as relações da criança com os pais, a escola, a comunidade, enfim, com todos que estão diretamente envolvidos na dinâmica da criança, pois todos são parte do problema e parte da solução (GUILHARDI, 2006).

A infância é considerada um período onde não há problemas, preocupações ou responsabilidades, porém, a Depressão nessa faixa etária traz comprometimentos importantes, com prejuízo nas esferas emocional e cognitiva, influenciando no desenvolvimento infantil, afetando não só a criança, mas também, sua família e o grupo ao qual se relaciona. É importante que seja realizado um diagnóstico precoce para subsidiar uma intervenção adequada.

Apresentamos a psicoterapia como uma forma de tratamento bastante eficaz, mais especificamente, a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, onde pensamentos, emoções, crenças e atitudes do paciente são revistos e reeducados, para que os chamados comportamentos disfuncionais sejam modificados e novos comportamentos sejam aprendidos.

Cabe aos pais, professores e psicopedagogos observarem o comportamento das crianças e perceberem sua emoção através de alguns sinais que a própria criança apresenta, como a perda de peso, o isolamento, a irritação, entre outros.

Disponibilizar um maior conhecimento acerca de Depressão Infantil para pais e professores pode propiciar um olhar mais atento às crianças que apresentam possíveis sintomas, permitindo um encaminhamento oportuno e um diagnóstico mais rápido, o que conduzirá à intervenção adequada, em tempo hábil (CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2003).

Há ainda outro fator importante no contexto da Depressão Infantil, que é a relação de afetividade entre a criança e os adultos, pois a forma como a criança é tratada fornece a ela informações sobre quem ela é e como ela é, pois, os adultos funcionam como espelhos para a criança, na formação de sua identidade (TEODORO, 2010).

Uma criança ao ser criada num lar onde haja amor, respeito e afeto acreditará mais nela própria e lidará melhor com os percalços do caminho, preparando-se assim para a vida.


Fonte: https://psicologado.com/abordagens/psicologia-cognitiva/depressao-infantil-caracteristicas-e-tratamento © Psicologado.com


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